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Quarentena e saúde mental: como proteger a mente durante o isolamento contra o coronavírus

Aprenda a lidar com a ansiedade e solidão enquanto fica confinada em casa para se proteger da pandemia do coronavírus
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A pandemia do coronavírus virou o mundo de cabeça para baixo. Se você está seguindo as recomendações do Ministério da Saúde, já está isolada em casa (#ficaemcasa), para preservar a saúde e evitar o avanço da doença. No entanto, a quarentena traz à tona alguns sentimentos nada agradáveis, como ansiedade, medo e solidão. É preciso se acostumar com uma nova rotina, que ninguém sabe quanto tempo vai durar. Ligar a TV para se atualizar sobre o momento difícil que estamos vivendo parece pior ainda, já que as notícias são bastante negativas e o bombardeio de informações alimenta a angústia. Com tudo isso, como é possível proteger a saúde mental enquanto estamos em casa?

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Um novo desafio: desacelerar

Antes de qualquer coisa, temos que entender que o período em isolamento é passageiro e altamente necessário para salvar vidas. Isso porque o vírus que causa a COVID-19, nome oficial da doença que já contaminou mais de 200 mil pessoas no mundo inteiro, se espalha rapidamente e ataca a saúde dos mais vulneráveis, que são idosos e pessoas com doenças crônicas. Para evitar a transmissão, as autoridades de saúde recomendam ficar em casa pelo maior tempo possível – medida que já mostrou resultados na China, epicentro da doença.

O momento atual é desafiador. “Ficar em casa é uma mudança total de rotina, as pessoas estavam habituadas a um cotidiano dinâmico, frenético, vivendo no piloto automático”, explica a psicóloga Marilene Kehdi, especialista em atendimento clínico. Ter a liberdade restringida pode causar aumento da ansiedade e do stress, e é preciso assumir as rédeas desses sentimentos, para que eles não tomem conta.

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A situação é ainda pior para quem já possui algum transtorno psicológico, como ansiedade generalizada e depressão, já que o quadro tende a piorar nesse momento. “A maioria dessas pessoas não consegue ter domínio sobre os sentimentos sozinha, e muitos desenvolvem pânico”, aponta Marilene.

Separar horários específicos para relaxar e ficar com a família é fundamental para manter a saúde física e mental, e na correria do dia a dia nem sempre lembramos disso. Respeite isso mesmo se você está fazendo home office. No confinamento em casa reforça, o expediente deve ser o mesmo de dias normais, com organização, horários para acordar, comer e descansar. “Ao encerrar o expediente, busque tranquilizar a mente, não ficar estressada pelo trabalho 24 horas por dia”, alerta Marilene. Outro fator descompressor é o exercício físico, que pode ser adaptado para acontecer dentro de casa na nova rotina.

Fugir das notícias quando necessário

Informar-se é importante, mas só se as notícias não causarem ansiedade – o que é quase impossível de evitar neste momento. O cenário mundial causado pelo coronavírus não é muito favorável, e é normal sentir medo do que está por vir. Por isso, é importante filtrar o que se lê, para não entrar em pânico. “A notícia vem de todas as partes e nem sempre é correta, então, se você está fazendo sua parte, basta ficar tranquila e evitar informações que alimentem pensamentos negativos”, sugere Marilene.

A própria Organização Mundial da Saúde recomenda dosar a quantidade de notícias, em prol da saúde mental. Em uma cartilha com dicas para enfrentar a crise da melhor forma possível, a instituição sugere ligar no noticiário, ou ver as últimas novidades sobre o assunto na internet, apenas duas vezes por dia. A ideia é trazer uma noção prática para a avalanche de informações que podemos receber, para que as notícias sirvam só para a tomada de decisões e para sabermos sobre como serão os próximos dias. Mais do que isso, se te fizer mal, não é necessário.

Controlar emoções e mudar prioridades

O segredo para enfrentar a quarentena sem pirar é ter autocontrole emocional e evitar pensamentos negativos. Claro que não é tarefa fácil: “Manter a calma e a paciência é um exercício diário, mas temos que criar estratégias para resistir nesse isolamento”, ressalta Marilene. Quem está confinado junto com o parceiro ou familiares deve tomar cuidado para não projetar no outro as próprias angústias e frustrações deste período. Se os pensamentos negativos aparecerem, cuide para não alimentá-los, já que o stress e o medo ativam hormônios que podem até baixar nossa imunidade, tão importante neste momento.

Marilene sugere algumas dicas para aliviar os pensamentos ruins, como ter controle sobre a respiração, praticar meditação, assistir a filmes e programas de TV que não fiquem alertando o tempo todo sobre a pandemia e, finalmente, mudar o foco do assunto. Ela também indica que, se a barra estiver muito pesada, é possível buscar atendimento com psicólogos por vídeo: “Se a pessoa perceber que não está dando conta e as emoções estão muito afloradas, o atendimento virtual pode ajudar muito”.

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Por fim, entenda que o momento pede revisão da nossa dinâmica de vida. Procure se ocupar com atividades relaxantes, ter uma alimentação regrada e saudável e manter contato com amigos e familiares, ainda que virtualmente. Controlar o stress e não alimentar emoções negativas já será muito importante por sua saúde mental. “É preciso pensar que é só uma fase, e se todos colaborarem e tiverem responsabilidade e respeito pelo próximo, ela vai passar logo”, conclui Marilene.

Reportagem Camila Junqueira

 

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