Síndrome de Burnout: os 12 estágios do esgotamento mental

Necessidade de aprovação, isolamento, depressão... Especialistas identificaram 12 fases que levam ao burnout - mas nem sempre as pessoas percorrem todas elas
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Exaustão, stress, vazio interno… Poderíamos estar falando da depressão ou ansiedade, mas estes também são sintomas de outro distúrbio psiquiátrico: a síndrome de burnout. Conhecida como esgotamento profissional, ela acontece no ambiente de trabalho e resulta de uma pressão excessiva, muita responsabilidade e cobrança – que podem vir da própria pessoa que sofre do problema.

“O burnout é um nível devastador de stress e tem relação direta com o trabalho”, aponta Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association (ISMA-BR). Independentemente da profissão, você pode estar sujeita a desenvolver a síndrome se não prestar muita atenção em si mesma e se deixar levar pelos excessos, cada vez mais comuns em nosso dia a dia.

Ao atingir o ápice do burnout, é como se a mente entrasse em colapso e o profissional ficasse incapacitado para trabalhar. No entanto, até aí, existe uma série de sinais que podem significar um princípio da síndrome – e quanto antes forem detectados, melhor. “O burnout não ocorre do dia para a noite e pode ser acumulado durante anos de trabalho”, ressalta Ana Maria.

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O caminho do burnout

A síndrome foi definida nos anos 70 pelo psicanalista americano Herbert J. Freudenberger. Ele detectou o problema em si mesmo e viu semelhanças em outros colegas, que ao vivenciarem uma sobrecarga contínua de trabalho, passavam a tratar seus pacientes com desprezo e negligência. Porém, apesar de ser conhecido há muito tempo, o burnout só entrou para a lista de doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS) em maio de 2019. 

Freudenberger, junto do também psicanalista Gail North, separou o caminho até o burnout em 12 estágios, que podem acontecer em ordem e intensidade diferentes, dependendo do caso. “Os primeiros estágios são os que distinguem o burnout do início de uma depressão”, ressalta Alexandre Valverde, médico psiquiatra. Há quem viva várias fases de uma vez, ou vá direto para as mais graves, mas vale a pena refletir se você pode estar em alguma delas.

1) Necessidade de aprovação

É uma ambição em excesso, quando você passa a precisar provar o tempo todo aos colegas – e principalmente, a você mesma – que está fazendo um ótimo trabalho.

 2) Excesso de trabalho

Como você passa a exigir mais de si mesma, acaba ficando mais horas após o fim do expediente, para dar conta de tudo. É comum chegar mais cedo e ser uma das últimas a sair do escritório, além de assumir várias responsabilidades de uma só vez, sem contar com a ajuda de ninguém. “Você está sempre aquém do nível de exigência que você mesmo se coloca, então mesmo sentindo cansaço, você se doa cada vez mais”, aponta Alexandre. 

3) Deixar necessidades pessoais de lado

Quando toda sua vida começa a girar em torno do trabalho, você deixa em segundo plano atividades como dormir, comer bem e estar perto da família e amigos. São sacrifícios feitos em função do trabalho. 

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4) Recalque de conflitos

Você até percebe que está com problemas, mas não consegue identificar a causa deles. Como não há tempo para investigar, ocorre uma fuga dos sintomas, para evitar que surja qualquer fraqueza em meio a tanto trabalho. “Existe uma psicofobia instalada no mundo do trabalho, você se acha fraco ao se comparar a colegas bem sucedidos”, destaca Alexandre.

5) Revisão de valores

Suas percepções começam a mudar, e o que antes você considerava errado, passa a fazer parte do seu cotidiano. “São mudanças no aspecto ético, você começa a desvalorizar desde coisas simples a até maiores e muda a forma que você avalia o trabalho do outro”, explica Alexandre. Se você passa a almoçar na mesa para não perder tempo, começa a achar errado se seu colega sai para comer, por exemplo.

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6) Negação do problema

Aqui surge a impaciência com o outro e uma irritabilidade maior no dia a dia, o que pode comprometer a produtividade e a convivência com colegas de trabalho. Quem não trabalha no seu ritmo é visto como preguiçoso ou indisciplinado. Suas atitudes e o stress crescente são relacionados à pressão e ao excesso de trabalho, mas você ainda não entende que precisa de ajuda.

7) Afastamento 

Nesse estágio, o contato social é drasticamente reduzido e você se sente cada vez mais sozinha e sem perspectivas de melhora. “Mesmo se você adorava sair de vez em quando com amigos ou grupo do trabalho, agora sai voando do escritório para ninguém nem te convidar”, ressalta Ana Maria.

8) Mudanças de comportamento

Quando você não consegue sustentar as próprias mudanças e passa a se fechar para os outros. Além disso, você deixa de ver importância no próprio trabalho e se sente completamente desvalorizada.

9) Despersonalização

Você perde o contato com si mesma e passa a viver no piloto automático: não tem percepção das necessidades pessoais ou motivação para trabalhar. É como se você se desconectasse de tudo o que acredita ou gosta de fazer.

10) Vazio interno

O vazio que já estava crescendo se expande drasticamente, e você passa a buscar qualquer coisa para preenchê-lo. Podem ocorrer exageros na alimentação, relações sexuais e até vícios como drogas e álcool.

11) Depressão

É o estágio em que os sintomas do burnout se confundem com a depressão. A vida perde o sentido, você se torna apática e indiferente a tudo o que acontece. “Você sente uma exaustão e se arrasta para o trabalho e para a vida, fica terrivelmente abalada”, aponta Ana Maria.

12) Burnout

Na última etapa, ocorre o colapso físico e mental e você se sente incapacitada para trabalhar. É quando não há mais alternativas e é preciso se afastar do escritório e buscar um tratamento com psicólogos e psiquiatras. Podem haver também manifestações físicas, como taquicardia, sudorese e crises de pânico.

Como tratar o burnout?

Se você já faz terapia e tem um olhar voltado para a saúde mental, é mais difícil chegar aos estágios mais graves. É importante ficar atenta e respeitar seus próprios limites para não cometer excessos. 

Ter um estilo de vida saudável também ajuda a lidar melhor com a síndrome: “Você se torna mais resistente ao burnout se tiver uma alimentação saudável, não pular refeições, respeitar um tempo para fazer atividade física, tudo isso ajuda”, conclui Ana Maria. Não se esqueça de que se cuidar não é egoísmo, é autocompaixão.

Reportagem Camila Junqueira

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